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Por que alguns veterinários ainda têm receio do Laser Classe 4?

  • Foto do escritor: Marcos Michelon
    Marcos Michelon
  • 18 de mar.
  • 3 min de leitura

Apesar de toda a evolução da tecnologia, ainda é comum encontrar veterinários que demonstram resistência ao uso do laser Classe 4 na rotina clínica. Esse receio não surge do nada — ele tem raízes históricas, técnicas e até culturais dentro da medicina veterinária.

Neste artigo, vamos aprofundar os principais motivos desse cenário e, mais importante, entender o que mudou na prática moderna.


O legado dos primeiros equipamentos


Quando os primeiros lasers Classe 4 chegaram ao mercado, eles realmente apresentavam limitações importantes:


Problemas comuns no passado:


  • Potência elevada sem controle refinado

  • Pouca ou nenhuma modulação de energia

  • Ausência de protocolos pré-configurados

  • Maior risco de aquecimento superficial


Na prática, isso exigia um nível técnico alto — e aumentava o risco de uso inadequado.


O que mudou hoje?


A tecnologia evoluiu significativamente. Equipamentos modernos contam com:


  • Controle térmico em tempo real

  • Modos pulsados inteligentes

  • Protocolos automáticos por indicação clínica

  • Ajuste fino de potência, frequência e duty cycle


Ou seja: o que antes dependia totalmente da habilidade do operador, hoje é assistido por tecnologia embarcada.


Falta de treinamento técnico adequado


Esse é, talvez, o principal fator até hoje.

Diferente do Classe 3B, o Classe 4 exige compreensão de parâmetros como:


  • Densidade de energia (J/cm²)

  • Tempo de aplicação por área

  • Velocidade de varredura da ponteira

  • Interação tecido x potência


Erros comuns de quem não domina:


  • Aplicar energia insuficiente → sem resultado clínico

  • Aplicar energia excessiva sem movimento → aquecimento local

  • Falta de padronização → resultados inconsistentes


Diante disso, muitos profissionais preferem permanecer no Classe 3B, que é mais “tolerante ao erro”.


Ponto-chave:


Não é que o Classe 4 seja perigoso —👉 ele é mais técnico.

E tudo que exige domínio, naturalmente gera resistência em quem ainda não teve treinamento adequado.


Confusão com laser cirúrgico


Esse é um dos maiores equívocos.

Alguns lasers Classe 4 podem, sim, ser utilizados para corte cirúrgico — mas isso depende de configurações específicas:


Para ter efeito de corte, é necessário:


  • Alta potência concentrada

  • Modo contínuo

  • Uso de fibra cirúrgica específica

  • Foco energético em área extremamente pequena


Na fisioterapia, o cenário é outro:


  • Aplicação em movimento (varredura)

  • Energia distribuída

  • Controle de dose por área (J/cm²)

  • Foco em bioestimulação, não ablação


Ou seja:Laser terapêutico ≠ laser cirúrgico, mesmo sendo da mesma classe.


O que acontece na prática clínica hoje?


Enquanto parte do mercado ainda tem receio, os centros mais avançados já fizeram a transição.


Exemplos de referência internacional:


  • Companion Animal Health (EUA)

  • LiteCure

  • Multi Radiance Medical


Todos utilizam laser Classe 4 amplamente na reabilitação veterinária, com protocolos consolidados e evidência clínica.


Comparação direta: por que o mercado está migrando?

Característica

Classe 3B

Classe 4

Potência

Baixa

Alta

Tempo de sessão

Longo

Curto

Profundidade

Superficial

Profunda

Eficiência clínica

Moderada

Alta

A equação é simples:mais energia em menos tempo = melhores resultados clínicos


O que geralmente está por trás da resistência?


Na maioria dos casos, o cenário é este:


  • O profissional utiliza Classe 3B

  • Nunca teve contato real com Classe 4

  • Ou teve contato com tecnologias antigas

  • Ou não recebeu treinamento adequado


A partir disso, cria-se uma percepção baseada em experiência limitada — não na realidade atual da tecnologia.


Conclusão: medo ou falta de atualização?


O receio em relação ao laser Classe 4 não é exatamente um problema — ele é compreensível dentro do contexto histórico.

Mas hoje, com a evolução tecnológica e o avanço da reabilitação veterinária, esse cenário mudou completamente.


O que antes era complexo e arriscado, hoje é:

  • controlado

  • previsível

  • seguro

  • altamente eficiente


Reflexão final


A pergunta não é mais:

“O Classe 4 é seguro?”

E sim:

“Estou preparado para utilizar todo o potencial que essa tecnologia oferece?”

 
 
 

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